O que é Hué, mesmo a meio do Vietname? É só a antiga capital do império!

Hué é a cidade a norte de Da Nang, na costa central do Vietname, perto da qual a zona desmilitarizada (DMZ) se situava, e foi a capital do Vietname desde o início do século XIX e até 1945. Estamos a meio do país, um país que foram dois durante parte do século XX. É também a cidade que guarda uma cidadela antiga, bastante destruída durante a guerra, mas que ainda mantém a memória do tempo passado e é património da Humanidade da UNESCO. Nesta cidade atravessada pelo rio Perfume (Song Huong), a cidadela, antigo palácio imperial e sede do governo, fica na margem norte, enquanto o centro da cidade atual é na margem sul – e a generalidade dos hotéis, restaurantes e bares concentra-se nesta margem, junto ao rio, do lado mais a leste, bem como as lojas a venderem excursões pela região. A poucos quilómetros da cidade ficam os Túmulos dos Imperadores, numa extensão considerável, para os mais cultos, e praias de areia branca e água quente, para os mais (só) cool.

Diversos guias e comentários de viagem dirão que em Hué vale a pena ir ver o mercado de Dông Ba, caminhar junto ao rio ou fazer um passeio de barco entre as margens que unem a cidade. Não é necessariamente verdade (a não ser que se esteja numa primeira viagem à Ásia e se deseje muito muito mesmo ver algo apenas ligeiramente exótico…). O que vale mesmo a pena fazer em Hué é ir ver a cidadela imperial e aproveitar a boa cozinha da região, com pratos que com mais dificuldade se encontram noutras zonas. Isto, claro, faz-se num dia, mas a cidade é tranquila, dormente, tem uma brisa que vem do mar, comparando com o caos, o barulho e a poluição de Hanói ou de Saigão, e seguramente que vai apetecer ficar mais tempo.

Vale a pena recordar que, apesar da cidade ser plana, e tudo parecer muito perto no Google Maps, a realidade é um pouco diferente… Ou seja, muito mais quente e dolorosa ao sol. Andar a pé parece apetecível, mas ao fim de poucos minutos, com a roupa ensopada em suor e os pés a arder, talvez seja de ponderar apanhar um táxi ou uma “moto-táxi”. Um táxi para se fazer 3 ou 4 km na zona central não deve custar muito mais de 1 euro (23500 dong), isto se usar o taxímetro…

Um hotel que cumpre a função e fica bem localizado é o DMZ Hotel, quarto com WC e ar condicionado, 17 euros por noite – não confundir com o DMZ Hostel, que também existe e fica perto). Um restaurante, na zona dos restaurantes, que tem uma boa seleção de pratos de Hué, é o Madam Thu, como o “bánh bèo chén” (uma base de massa de arroz com camarão e cebola por cima, que sabe muito melhor do que parece pela descrição do seu conteúdo). Durante as noites, especialmente ao fim-de-semana, casais de namorados e famílias locais, com elementos dos 7 meses aos 77 anos, juntam-se para beber cerveja, comer (muito) e dançar, como acontece no enorme Century Beer Garden (na rua Lê Lói, perto do rio). O mesmo acontece no Hot Tuna e no Tavet, na mesma zona, e em todos os demais bares à volta. Ao fim-de-semana parte das ruas desta área tornam-se pedonais durante a noite, as esplanadas enchem-se, a música flui e arrefece-se do calor do dia.

Para visitar a cidadela de Hué, convém ir de manhã cedo (deve abrir pelas 7 da manhã) e provavelmente não ter a pretensão de ver tudo. Estamos a falar de um espaço total de 36 hectares, onde só se anda a pé. É fácil descobrir onde está a entrada: uma enorme bandeira do Vietname, visível de quase toda a cidade, assinala o local. O bilhete (adquirido à chegada) pode ser comprado apenas para a cidadela (8,50 euros, que dá direito a um mapa integralmente em vietnamita, com um interesse algo limitado…) ou incluindo também visitas a outros monumentos.
A construção da cidade imperial data das primeiras décadas do século XIX e esta serviu a dinastia dos imperadores Nguyen até 1945. Parte dos edifícios e templos que compunham a cidade foram destruídos e ainda assim se mantêm. Outros foram já recuperados e outros estão no processo de o serem. Tal como outras cidades imperiais, esta tem também a sua zona de “cidade proibida”, os antigos aposentos do imperador, e as zonas mais plebeias de funcionários, de serviços da administração imperial, de concubinas, de salas de banquetes, jardins e afins.
Uma vantagem adicional na visita é a de que dificilmente se encontrará muita gente. Os demais visitantes provavelmente serão apenas algumas famílias vietnamitas, o turista ocidental ocasional e casais forçadamente enamorados que vestem trajes tradicionais e levam um fotógrafo para fazer a sua sessão de fotos nos palácios do imperador (e que podem até sentar-se no seu trono hoje vago, naturalmente por um preço extra).

Deixe um comentário