Um pouco mais de Java: Jogyakarta e Borobudur
Para ir de Jacarta até Jogyakarta é possível apanhar um comboio desde a estação de Gambir (7 horas), mesmo se não há comboio nocturno que permita dormir durante o percurso. É possível também voar, o que a maior parte das pessoas prefere (1 hora, mas que se pode transformar facilmente em 5 horas, com o trânsito da capital que mesmo um táxi vence a custo e a antecedência devida do aeroporto). Conte sempre com pelo menos duas horas do centro de Jacarta até ao aeroporto e cerca de 150 – 200 000 rupias de táxi.
Os bilhetes de avião podem custar menos de 35 euros (ida) e podem ser comprados facilmente em www.tiket.com, tal como aliás os bilhetes de comboio (que tendem a esgotar nos períodos de férias). Estes vendem-se também nas lojas de conveniência que existem em quase todas as ruas da cidade – nas lojas da cadeia Indomaret, por exemplo.
Chegar diretamente a Jogya de fora da Indonésia também é possível – existem diversas low cost asiáticas e outras companhias que a têm como destino.
Jogyakarta, segunda cidade de Java (Jogya para os amigos), parece uma pequena aldeia comparada com Jacarta, mesmo com o seu milhão e meio de habitantes. É possível respirar (não há poluição…) e andar pelas ruas (o calor é mais suave). Provavelmente ficará num hotel na zona central em torno da rua Malioboro, uma rua de compras e de restaurantes feita para os turistas, que são maioritariamente indonésios. Eu fiquei nessa zona, no Hotel Amalia (JalanSosrowijayan), escolhido obviamente pelo nome, mas isso sou eu (15 euros/noite, com ar condicionado e WC no quarto)…
Foi na esquina da rua do hotel Amalia que conheci um indonésio entusiasmado com a minha nacionalidade, que me jurava que os Portugueses ali tinham estado entre o século XII e o século XIII. E apresentou-me ao kroncong (lê-se “crontchong”…), uma música tradicional indonésia, que me garantiu ele ser de origem portuguesa. E parece que é mesmo. Soa a fado e a guitarra portuguesa. É bonita.
Jogya é uma cidade onde apetece ficar algum tempo, mesmo se o grande atrativo da cidade – depois de se espreitar o bairro que rodeia o palácio do sultão de Jogyakarta e da sua família, ainda reinante – não está lá. Fica a cerca de 35 km e é o templo de Borobudur, considerado um dos maiores templos budistas do mundo.
Para quem tenha estado em Angkhor (Camboja), em Hampi ou no Taj Mahal (Índia), Borobudur pode parecer à primeira vista algo de menor. Mas à medida que se sobe pelo templo e se vão contemplando as cenas esculpidas em todas as suas pedras, nível após nível, andar após andar, desenhos da vida terrena e pós-terrena dos homens, mulheres e animais do século IX, vamos sendo progressivamente seduzidos, e no final da visita, sabemos que estamos sem dúvida em algo de extraordinário.
Abandonado no século XIV, foi redescoberto apenas no século XIX e os trabalhos arqueológicos e o restauro ainda se mantêm em curso, até porque os tremores de terra e as explosões vulcânicas regulares nas redondezas têm deixado as suas marcas. É a mais visitada atração turística da Indonésia, património da Humanidade da UNESCO desde 1991, e vale muito a pena conhecer.
Fora dos percursos habituais, o que de melhor se pode fazer depois de Borobudur é conhecer as zonas rurais e de selva montanhosa em torno de Jogyakarta. Não há turistas neste centro da ilha de Java (estão todos a tirar selfies no templo). As vistas são fantásticas e pode-se facilmente passar alguns dias entre campos de arroz, picos de vulcões e quedas de água.
Vai ser preciso transporte, pelo que um carro ou uma scooter são indispensáveis, se quiser evitar os tours. É uma terra de vulcões, claro, mas estes costumam avisar antes de haver problema.
Depois de Borobudur, aconselho uma visita a um local escondido e extraordinário, como as quedas de água de Lepo e as suas piscinas naturais, na zona de Bantul. Quando lá estive não encontrei mais ninguém, para além do guarda meio adormecido, de um camponês que apanhava o seu milho plantado junto à cascata e de borboletas do tamanho de uma mão. Pode-se tomar banho e ter a água da cascata a cair pelas costas horas a fio, desde que não se leve muito a sério aquela parte dos guias sobre os parasitas estranhos que se apanham nas águas no meio da selva.
Também vale a pena ir, na mesma zona, até à “Floresta dos Pinheiros”, Hutan Pinus Mangunan, que é exactamente o que o nome indica e algo mais. Oferece uma vista deslumbrante e permite adormecer lentamente na brisa debaixo de árvores com mais de 30 metros de altura.






