A ilha ao lado, onde quase ninguém ia: Nusa Penida, Bali

Onde estará escondida aquela Indonésia quase mitológica, ilhas de ausência de tempo e de distância absoluta, uma autenticidade que não esteja à venda, longe dos mercados de artesanato a fingir e das praias de pacote? Existirá ela ainda perto de Bali?

Uma boa resposta a isso pode ser Nusa Penida… embora cada vez menos. Nusa Penida é uma pequena ilha a sudeste da ilha de Bali, a cerca de 45 minutos de barco rápido desde Sanur, na costa oriental de Bali. Chegar a Sanur é simples, resolve-se por exemplo com um táxi desde o aeroporto ou desde a zona de Kuta (com um preço algures entre as 100 000 as 300 000 rupias, entre 6 e 18 euros, consoante a oferta e a procura se acertem…).

Os barcos de e para Sanur atracam na zona de Sampalam, na costa norte de Nusa Penida. Se optar por não se alistar nas excursões turísticas e manter a sua independência, o melhor a fazer é mesmo alugar uma scooter, sob pena de não conseguir circular pela ilha.

Qualquer alojamento na zona pode ajudar nesta tarefa, com preços simbólicos e sem grandes formalidades (peça no entanto um capacete, já agora).

A partir daí, controlando o nível de combustível (e atestando regularmente nos diversos locais à beira da estrada que vendem gasolina em garrafas de água) e de rupias (raro é o sítio que aceita cartões de crédito), é fazer-se à estrada, com a consciência de que a ilha é feita de altos e baixos e a maior parte das estradas está cheia de buracos e um ou outro animal inconveniente, obrigando a prudência máxima e a velocidade mínima.

A oeste de Sampalam, na mesma costa, fica a povoação de Ped, com bons restaurantes, caixas ATM, algumas lojas e alojamento junto ao mar. De resto, é uma ilha tranquila, onde o que há a fazer, para além de mergulho, é conhecer as vistas deslumbrantes que se alcançam ao longo da sua costa e passear pelas pequenas aldeias, pelas praias e pelos templos que se dispersam por toda a ilha.

Os melhores sítios provavelmente são junto ao mar e dois deles são ainda pouco requisitados pelo turismo. A praia de Atuh, na costa leste, é uma zona menos frequentada, com falésias rochosas em altura sobre o mar e línguas de areia branca lá em baixo. Já no litoral sul de Nusa Penida, estão a floresta e a praia de Tembeling. O acesso é difícil e é possível que tenha de andar a pé pelo menos uma meia hora entre as árvores até chegar ao mar, seguindo-se uma longa escadaria ao longo da falésia. Mas vale a pena, se apreciar por exemplo uma queda de água deserta, ladeada por um templo esculpido na rocha, com o som do oceano ao fundo e a sensação de estar no meio de um verde, longe de tudo, que não foi desenhado por nenhum paisagista. Tembeling não é, contudo, a praia idílica de areia branca e coqueiros abanados pela brisa da tarde. É fisicamente exigente lá chegar e tem rochas por todo o lado. E, no entanto, é um sítio especial.

Ainda na costa sul, fica a zona de Klingking e, já na costa ocidental da ilha, estão a Broken Beach e a Crystal Bay, assim mesmo, em inglês. Muito mais visitadas, por nacionais e por estrangeiros, nenhuma destas praias tem os areais que se encontram em Bali, mas a sensação de fim do mundo e de descoberta são garantidas.

Klingking é uma península verde e rochosa, ladeada por areia branca – a praia –, que oferece do alto da falésia uma vista extraordinária. Três ou quatro esplanadas improvisadas oferecem refeições e bebidas cá em cima, especialmente apreciadas se for um ou uma dos corajosos (as) que pretenda descer até lá abaixo (e subir depois…). Se o fizer terá a praia para si e a inveja garantida de quem o veja ao longe, lá do alto do penhasco.

A Broken Beach é uma designação enganosa, já que na verdade não há nenhuma praia de areia por ali. No entanto, as formações rochosas junto ao mar vêm em todos os tamanhos e feitios e a água surge em diversos tons de azul e verde. Um alojamento a pouco mais de 1 quilómetro, a Broken Beach Villa, oferece cabanas confortáveis e vista  para o oceano e para o pôr do Sol, por cerca de 25 euros.

Finalmente, em Crystal Bay, existe uma bonita faixa  de areia de acesso fácil,numa pequena baía recortada na floresta, com camas, mesas e cadeiras na praia e alguém pronto a servir uma Bintang fresca, que a água do mar é sempre quente. Quando lá fui, tive a companhia talvez de uns 8 australianos a apanhar sol, duas vacas a pastar e um cão adormecido. E mais ninguém!

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