Bali, Indonésia, com crianças – elas vão adorar e nós também
Ir a Bali com crianças pequenas – ou seja, tipo entre os 6 e os 12 anos – é um acontecimento na vida delas. Crianças mesmo pequenas devem ficar com os avós e deixarem os paizinhos embriagarem-se fortemente e passarem dez horas seguidas na praia a mais de 10 mil quilómetros de distância. As outras, vão adorar a viagem.
Bali tem a virtude de ser longe, barato, bonito e francamente diferente, em tanta coisa, do ambiente ocidental. Tem também aquela coisa de, ainda assim, ser possível comer uma pizza, um hambúrguer ou um gelado dito italiano e ver macacos ao mesmo tempo em quase qualquer ponto da ilha, afogando à nascença qualquer birra prometedora. Os voos são, claro, caros, mas é ainda possível comprar, com antecedência e planeamento, em preços pós-Covid, voos por cerca de 800 euros por pessoa, desde Lisboa (e vai querer ir quando não chove, ou seja, entre junho e outubro, ou seja, as férias escolares).
Mesmo sabendo que só lhe vai apetecer ficar na praia, passear por campos de arroz e espreitar templos hindus, tem também de fazer alguma coisa de que elas vão mesmo gostar… E isso é o quê?
– Parque aquático Waterbom em Kuta
O Waterbom (https://www.waterbom-bali.com/) é o maior parque aquático em Bali e, estranhamente, é muito organizado e tranquilo. Tem escorregas francamente assustadores, outros nem tanto, e piscinas grandes e limpas para todos. O melhor é, ao chegar, de manhã, alugar uma das cabanas (com camas, cofre e serviço de bebidas e refeições) como poiso até ao final da jornada, até porque as alternativas com sombra no parque quase não existem. É um bocado caro, para os preços de Bali, mas é preciso.
Eu, que detesto parques aquáticos, fiquei satisfeito com as poucas pessoas que havia (em agosto), com o colchão e com a sombra, ou seja, li uns dez capítulos. Os outros gostaram imenso dos escorregas com água. Comprar bilhetes para o parque, no site deles, fica mais barato.
– Floresta dos Macacos em Ubud
Ubud é ponto de visita obrigatório e, com miúdos, a Floresta dos Macacos é O ponto de interesse para eles. É exatamente aquilo que o nome anuncia: um espaço de alguns hectares de floresta, assim mantido praticamente no centro da localidade, com alguns milhares de macacos em total liberdade. Paga-se bilhete à entrada e passeia-se por lá, tentando evitar os macacos mais atrevidos. E assim se passam duas ou três horas, pelo menos. Vale a pena ir cedo, com menos calor e menos pessoas. As crianças mais pequenas ou mais receosas vão ter algum medo, as maiores ou mais aventureiras vão querer trazer um macaco na mochila. Evitar óculos soltos, telemóveis à balda, penduricalhos diversos e coisas do género, que são garantia de ter um macaco em cima a querer reclamá-los para si de forma insistente.
– Cat Cafe em Sanur
Estando ou passando por Sanur, existe por lá um cat cafe (Cat Cafe Sanur,
( https://www.instagram.com/catcafesanur/), ou seja, um pequeno café onde algumas dezenas de gatos se passeiam por entre os clientes, à espera de festas e brincadeiras, não muito longe da praia. Para os pais, tem de facto ótimo café. E é um espaço bonito e tranquilo. Tem uma taxa de entrada (35 mil rupias), paga a par do consumo feito.
– Aula de surf (em Kuta ou em Sanur)
Kuta/Legian e Sanur têm uma vasta oferta de surf (que noutras zonas de Bali também existe), na praia e já preparada para crianças e paizinhos. Fazer uma aula, ou mais, com os miúdos pode ser um programa giro, com a grande vantagem da água quente e das ondas habitualmente simpáticas. Pode chegar à praia e tratar de tudo com uma das várias escolas que por ali estão.
– Praia, snorkeling e despreocupação (especialmente nas ilhas Gili)
As pequenas ilhas Gili ficam junto à ilha de Lombok, a cerca de 4 horas (ou mais) de barco desde Bali. As ilhas Gili, as três, são pequenas, redondas, com areia ou pedrinhas no seu litoral, sem carros, e com alojamento e restauração para quem dispensa o caos das zonas turísticas de Bali e querem a sua experiência de pores do sol e água quente no mar do Índico num ritmo bem preguiçoso. E sem preocupações de maior com as crianças, tirando o protetor solar, que não só não podem fugir (muito), como, fugindo, toda a gente saberá onde estão. E será seguramente no baloiço na praia ou a apanhar conchas ao lado.
Da primeira vez que fui às Gili não havia ainda barco direto desde Bali – apanhei o ferry de Bali para Lombok, levei um carro no barco, conheci calmamente Lombok e fui depois fazer mergulho às Gili. Essa é sempre uma opção, mas, com os atuais barcos “rápidos” entre Bali (de Sanur, por exemplo) e as Gili, será cada vez menos a opção.
Lombok é fantástico, diga-se. Mas as Gili são o campeonato a seguir, até porque parece que não serão destruídas pelo turismo de massas em breve. Andar e deixar-se ficar pelas praias, sem ondas, com água quente e peixes para espreitar logo à beirinha é ótimo. E os miúdos vão adorar fazer snorkeling nas Gili, porque vão passear de barco, ver peixes coloridos, tartarugas gigantes e afins. Em qualquer das ilhas em que fique, esse programa não vai faltar (bem como programas de mergulho, por alegados centros PADI), oferecido por quase todos com quem se cruze e no seu alojamento (snorkeling por cerca de 150 mil rupias por pessoa, ocupando grande parte de um dia). Quando lá ficámos com os miúdos, ficámos cinco dias, e poderíamos ter ficado mais sem qualquer problema. Foi o local de que mais gostaram na Indonésia.
Desde Bali, também há imensos programas de snorkeling, indo às costas de Nusa Penida, por exemplo, com a forte possibilidade de também se poder nadar com mantas e outros bichos. Um programa de um dia de snorkeling comprado em Bali, com almoço, pode custar cerca de 400 mil rupias.
– Experimentar novos frutos, novos sumos, novos batidos
Vai acontecer, quer planeie quer não. Ninguém fica indiferente à fruta dragão, à fruta pele de cobra, à jaca, ao mangustão e a todos os demais frutos do calor e do sul do planeta. A cor, o sabor, a descoberta – os miúdos vão adorar. Tanto dá para experimentar em hotéis de cinco estrelas como em bancas à beira da estrada e em várias declinações pelo meio. Dão 10 a zero às insonsas maçãs e peras europeias, claro. O melhor é deixá-los escolher à mesa o sumo ou o batido que vão querer. Não só treinam o inglês como treinam o gosto – e aprendem que as escolhas que fazem trazem consequências. Vão aprender que a fruta dragão – pitaia, sim – tem uma cor linda, mas não sabe a nada, e que a manga por lá tem sabor e sabor e sabor. E deixe-os pedir muito gelo: transforma-se em água passado 1 minuto e será, na larguíssima maioria das situações, seguro de beber. E pode sempre meter na mala, no regresso, dois quilos de mangustão, para levarem aos colegas da escola e ensinarem, sabedores, o truque para o abrir.
– Piscinas de hotéis
Parece banal, não é? Mas, em Bali, muitos hotéis têm piscinas imensas, de água naturalmente quente, quando não três ou quatro, lindas, que os miúdos vão adorar. E, mesmo não estando alojados, muitos hotéis e beach clubs fazem questão que por lá passe a tarde, se alimente e deixe as crianças a tornar a vida na sua piscina ainda mais infernal para os demais clientes. Um conselho? Ao escolher alojamento, invista na piscina, especialmente se as crianças forem duas ou mais. Podem passar a tarde a tentar afogar-se, enquanto os paizinhos bebem mojitos ao lado.
– Experimentar massagens balinesas
Especialmente se os paizinhos fizerem, também vão querer fazer. Uma massagem balinesa para uma criança é um ritual ainda mais exótico e apetecível. Fá-los sentirem- se crescidos e membros do clã. Talvez não durante uma hora… negoceie meia hora. Será cerca de 50 mil a 75 mil rupias. Escolha com algum critério o local. Faça com elas.
E sairão todos mais contentes da coisa.




