Na costa leste de Bali, Indonésia: Sanur e Padangbai (Blue Lagoon Beach)

Sanur é uma zona de praia, francamente mais tranquila do que a zona de Kuta/Legian, com uma grande baía de águas tranquilas, ao longo da qual estão praias (é a mesma, com nomes diferentes), hotéis e equiparados, restaurantes com peixe e marisco pescado na zona (sempre demasiado cozinhado, com picante mesmo que se peça sem e sem sal, como sabemos que é na Ásia), lojas, spas, massagens e toda a demais vida associada a fazer dinheiro a partir dos estrangeiros visitantes. Tal como Ubud, é uma zona relativamente cuidada, em que abundam os cafés e restaurantes a piscar o olho ao Instagram e as lojas com montras a piscar o olho ao design de gosto ocidental, ou seja, universal, com um toque asiático.
Quem quiser só dormir, beber Bintangs, aproveitar os 29 graus permanentes, fora e dentro de água, e não fazer ABSOLUTAMENTE mais nada, pode também ficar por aqui. Por algum motivo, um dos guias de viagem australianos mais conhecidos chama Sanur de “snore” e aconselha a zona a famílias com crianças… E os muitos australianos que por lá se encontram agradecem, até porque Darwin está só a 1 hora de voo ou pouco mais, não caindo. Mas, querendo raspar um pouco a aparência, estão lá também as bancas de comida de rua, os mercados, o caos estranhamente organizado – e, sempre, a simpatia genuína das pessoas de Bali. E é um excelente ponto de partida ou de chegada quer em relação a Ubud, mais no interior, quer para “as ilhas” (como se Bali não fosse uma delas também). É, portanto, um dos principais portos de turismo da ilha de Bali, a partir do qual se pode aceder, em barcos rápidos (ah!ah!ah!), às ilhas logo em frente, desde logo a Nusa Penida e a Nusa Lembongan, e a Lombok ou às ilhas Gili, em excursões ao longo do dia ou apenas como meio de transporte. Nuda Penida está a 45 minutos de barco, as ilhas Gili a cerca de 4 horas (se o motor avariar, serão 6 ou 8: levar água, comida e paciência é fundamental).

Sanur está a cerca de 30/45 minutos de carro do aeroporto, consoante o trânsito, pelo que é perfeitamente possível aterrar em Denpasar e ir diretamente para a costa oriental de Bali, mas mais dificilmente para as ilhas, que exigem um pouco mais de planeamento, nem que seja um bilhete comprado online ou localmente de véspera (e, sim, todos os horários são apenas indicativos, mas devem ser respeitados – por nós –, até porque há todo um processo ritualizado de check in para o barco, que demora o seu tempo). E vale a pena ir no primeiro slot de barcos, logo de manhã cedo, para aproveitar o dia, o que significa ter de estar no porto, na zona mais a norte da praia, por volta das 8h.
Caso tenha um tour comprado para o dia, provavelmente vai ser recolhido no hotel em torno das 7h ou 7h30 (caso esteja num alojamento em Sanur). Caso não tenha, um táxi para o porto custa cerca de 50 a 60 mil rupias indonésias desde a zona mais central de Sanur e não deve demorar mais de 20 minutos. Ao chegar a Nusa Penida ou aos demais destinos, exceto as Gili, caso não tenha programa previamente contratado, os taxistas, nas suas diversas formas, encontram-no, não se preocupe. Nas Gili não encontram, só porque não há carros, só bicicletas, uma pequenas motoretas elétricas e carroças puxadas, sem grande vontade, por cavalos.

Feitas as contas… faz sentido ir a Sanur? Sim e não. Sanur é confortável, tranquilo, com um porto donde se pode ir até às (demais) ilhas. Mas não tem nada de verdadeiramente extraordinário. Pode-se, claro, ficar no Hilton, na praia, a beber mojitos, com o computador à frente. Ou no barzito da rua de trás, a beber Bintang e conversar com os locais. Mas, ao fim de dois dias, está feito.

Acima de Sanur, a cerca de 1 hora de carro, está Padangbai, povoação junto ao mar, com o seu porto, templos hindus no cimo do promontório e uma pequena praia (designada de Blue Lagoon Beach, no jargão para o turista) onde vale mesmo a pena passar um dia, numa das espreguiçadeiras do único restaurante (alugada por 25 mil rupias) ou na praia, a olhar para o mar azul, verde e por aí. Alojamento e restaurantes não faltam na aldeia. É também um dos pontos de saídas de mergulho e para snorkeling.
A estrada entre Sanur e Padangbai vai sempre ao longo da costa, com o habitual trânsito caótico e onde as regras de condução são meramente sugestivas. A meio do percurso é de parar e ver os produtores de sal, expressão capitalista para a meia dúzia de locais que têm um engenhoso sistema de recolha de sal na praia, em troncos escavados que funcionam como tanques de evaporação (no Google designa-se esse ponto, pomposamente, como “Natural Salt Market”). E vendem-no, claro (entre 10 mil e 30 mil rupias o saco, consoante a quantidade). Chega-se lá alugando um carro, com motorista, ou sem, para quem queira arriscar conduzir naquelas estradas.

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