Ilhas de conforto e paz: as Ilhas Gili, Indonésia

São três, com nomes exóticos. Da maior para a mais pequena: Trawangan, Air e Meno. Ficam junto à costa da ilha de Lombok, mas o mais provável é que viaje até às Gili desde Bali, donde agora existem ligações por barco “rápido” (4, 5 horas), para fazer o percurso.
A generalidade dos barcos que vêm desde Bali param em todas as Gili e também em Lombok. É uma questão de contratar o bilhete e o percurso que se quer. Circular entre as ilhas Gili, de barco, também não é difícil – pode demorar 15 minutos, quer nos barcos “da carreira”, quer comprando o seu próprio transporte privado.
Tudo fácil, certo? E é mesmo. O alojamento nas ilhas, agora, está disponível para ser reservado nos bookings desde mundo. E até já há máquinas de ATM! Aquilo que vai encontrar escrito em toda a Internet: Trawangan é uma ilha “de festa”, Air uma coisa intermédia, Meno a pequena ilha de praia e tranquilidade. E isto corre o risco de ser verdade, já que, da maior para a mais pequena, assim é a escala da intensidade do turismo, da presença de alojamento e oferta, da popularidade e da procura.
O que é comum às três ilhas é a ausência de carros, de estradas com esse nome, de massificação e indústria da hospitalidade com I grande. Portanto, existem pequenos vilarejos locais e alguma ou muita oferta para alojamento e restauração dos turistas, que são cada vez mais, isso é certo, especialmente no litoral das ilhas, onde a praia se confunde com o quarto onde dormimos e a areia é o habitat natural dos nossos pés enquanto por lá andarmos.
Para quem queira programas mais energéticos nas Gili, a resposta está basicamente nos passeios de snorkeling e nas saídas de mergulho (e existem centros PADI nas ilhas) ou na ida à ilha próxima de Lombok, que aliás também tem praias fantásticas. É fácil e apetecível ir espreitar peixinhos coloridos e tartarugas, por cerca de 150 mil rupias/pessoa por um dia de passeio (snorkeling). Compra-se em todo o lado, desde o seu alojamento até a qualquer banca de venda de programas ao longo do litoral das ilhas.

Disclaimer: não conheço, ainda, a Gili Trawangan. Conheço a Air e a Meno, que recomendo. É aquele tipo de ilha tropical onde é possível ficar, pouco tempo, muito tempo, sem fartar. Têm a dose certa de reclusão e de conforto para o ocidental médio. É possível beber um mojito, comer um hambúrguer para desenjoar das especiarias locais ou ter Internet de qualidade. E também é possível, cada vez menos, é certo, adormecer na praia sem ninguém à vista durante um dia ou esquecer-se um pouco das crianças, se as tiver levado consigo, até porque não vão conseguir fugir para lado nenhum e vão adorar o seu tempo nas Gili, mistura de ambiente asiático selvagem e paz universal (basta levar um bom repelente e protetor solar 50, o resto arranja-se lá – e isto também, mas a preços de Nova Iorque).
A Gili Meno é mesmo pequena e onde escolher ficar seguramente será uma boa escolha, até porque tudo é perto e com poucas pessoas.

Na Gili Air, a escolha é maior, e basicamente divide-se pelas duas costas, na parte mais a sul da ilha. A costa oriental, ou seja, à direita do cais do barco onde se chega, é mais “ocupada”, com mais alojamentos e restaurantes. À esquerda do cais, e subindo pelo lado ocidental, continua a haver alojamentos e restaurantes, mas o ritmo é um pouco mais tranquilo. Na verdade, a única parte da costa sem grande presença é a zona norte, mais longe do cais, e com menos praia. Não há carros nem propriamente estradas, certo? Portanto ou carrega as suas malas até ao alojamento ou contrata uma coisa local, que são carroças arrastadas por cavalos e que, por preços usurários, carregam pessoas e os seus pertences. Não o faça: provavelmente não vai precisar e aqueles cavalos precisam urgentemente de ser mais bem tratados. Do cais até ao seu alojamento serão uns 10 minutos a pé, é aceitar e arrastar a malinha com rodas que levou consigo – ou a mochila às costas, para armar a grande globetrotter.
O grande sucesso de Gili Air, neste momento, é um restaurante italiano, Mama Pizza de seu nome. Um clássico das Ásias: uma cozinheira romana que foi para as Gili e que por ali ficou, criando um espaço, entre a praia e a “estrada” marginal, onde todos querem ir, fazendo fila para ter mesa (não fazem reservas!). E com razão, diga-se, porque as pizzas e as massas são ótimas, acompanhadas por uma cerveja balinesa e arrastando-se os pés descalços na areia enquanto se janta.
Mais a norte e mais a sul do Mamma Pizza ficam ótimos alojamentos, que combinam a praia, a 10 metros, com as comodidades básicas para o clima da ilha (leia-se WC na cabana e ar condicionado) e ainda piscinas e simpatia, por preços que são muito simpáticos (cerca de 25/30 euros por quarto duplo/noite, como as Solabose Cottages, onde fiquei). As melhores praias da Gili Air ficam também entre a Mama Pizza e as Solabose Cottages, para quem prefira areia fina, mais amiga da planta dos pés, e pouca gente.
Vale também a pena passear a pé pelas ilhas, de manhã cedo de preferência, quando o calor não é tão violento. É possível fazer por exemplo a Gili Air, combinando o interior e boa parte da costa, em duas ou três horas de passeio a pé, tranquilamente. Inclui pausas para beber Bintangs ou sumos de manga pelo caminho.
A altura certa, em termos de clima, para ir às Gili, coincide com o nosso tempo habitual de férias maiores, entre junho e setembro. Mas, na verdade, é possível lá estar, sem grande desagrado, 365 dias por ano…

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