Onde se come melhor no Mundo?

Uma resposta simples, rápida e direta, sem compromissos esquisitos ou dúvidas existenciais, sobre o ato mais básico e essencial da nossa existência (e um dos que mais prazer dá). Viajar para comer é legítimo – e mais vale que seja para o local certo.

E a resposta é estranhamente simples e direta. Onde se come melhor é seguramente num destes países: México, Tailândia, Indonésia, Vietname, Índia, Portugal, Espanha e Itália. Sem ordem crescente ou decrescente. Pode-se também acrescentar, logo a seguir, a Grécia, a Turquia, o Peru e Marrocos.

Não estamos a falar de estrelas Michelin ou da capacidade de congregar em ode cosmopolita, com o preço adequado, excelentes cozinhas de todo o mundo, como se encontra em Nova Iorque ou Londres. É outra coisa. É a quase certeza de se chegar a um fim da estrada, fora do mapa, e onde seguramente há uma espécie improvável de restaurante, onde teremos uma das melhores refeições da nossa vida. Este é o critério. Sem guias, sem publicidade, sem redes sociais ou Zomatos, sem alegrias ou desilusões antecipadas. Ou chegar a uma simples aldeia à beira-mar e comer o melhor peixe na Terra, pescado há poucas horas, sem grandes mutilações adicionais de permeio (talvez tenhamos nós, portugueses, só de acrescentar um pouco de sal). Ou beneficiar da combinação historicamente testada das melhores ervas, especiarias e misturas, que já diversas gerações validaram e trouxeram até nós. Uma vez cheguei quase em desespero a lugar nenhum, no meio de Marrocos, numa sequência motora de cheias e inundações sucessivas (sim, as duas), e houve logo quem se oferecesse para nos cozinhar literalmente “une scène”. Demorou três horas a ficar pronta. Mas foi uma das melhores refeições da minha vida. Une scène. Por 2 euros.

Pode-se também comer muito bem no Japão ou em França. Tal como na Costa Rica ou até em Singapura ou na Austrália (e quem nunca foi ao Nautilus, em Port Douglas, perto de Cairns, não pode na verdade opinar sobre isto). Mas comer, COMER, e bem, porque isso é uma consequência genuína do que se é e do que se pensa e deseja aos outros, provavelmente o melhor do nosso mundo está naquela primeira lista acima.

A Tailândia, a Indonésia, a Índia e o Vietname têm a sabedoria das misturas das ervas, dos frutos e das pimentas e parentes próximos. O México tem a essência do calor e da tentação em cada prato (carne com chocolate – quem mais o poderia fazer sem nos rirmos e torná-lo numa das melhores refeições ao nosso dispor neste planeta?). Espanha e Itália são a história vivida e pronta a comer do nosso tempo comum mais recente, dois mil anos, a reunião simples do melhor da Europa do sul e do norte de África, acolitada com um requinte único de simplicidade pelo clima, pelas gentes, pelo mar e pela terra. E Portugal, Portugal, tem só o melhor peixe, como só aqui se sabe salgar e grelhar, e uma variedade adicional de coisas para levar à boca, estranha e gloriosa, concentrada num pequeno retângulo, onde tudo parece igual e tudo é sublimemente distinto.

E, depois, há um pequeno truque nisto. Só nos países onde comer é relativamente barato é que se come bem. Imagine-se a conta média de um restaurante em Estocolmo ou em Haia… E depois imagine-se o valor da mesma conta de jantar num restaurante de Saigão, de Puebla – México –, ou numa rua de Banguecoque. Estamos conversados. Só onde comer é “democrático” é que se sabe comer. A cultura de comer é um dado civilizacional muito seguro. E tem uma regra quase universal: quanto mais inacessível e rápido, pior. Sim, já paguei 400 dólares por um jantar e já paguei 2. Qual o mais memorável? Pois, isso mesmo. E o problema não é o preço, é a cultura. Onde comer é um ato de socialização, de festa e de alegria. E onde comer é algo que se faz por mera necessidade fisiológica ou conveniência logística entre deveres laborais.

Se alguém quiser viajar para comer, aqui ficam, assim, os seus melhores destinos, sem modas nem fotos no Instagram. Mas com todos os sabores à espera.

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