Como lidar com o turismo sexual no Sudeste Asiático? Três regras simples

Viajar para países do Sudeste Asiático, como a Tailândia, o Camboja, a Indonésia ou o Vietname, significa também confrontar-se com outro tipo de turismo, desde logo o “turismo sexual”.

Desde os primeiros momentos de presença nestes países, e noutros, que nos habituaremos a ver estrangeiros, ocidentais e não só, atrelados a jovens locais, uma espécie de trolley girls, talvez com menos trinta ou quarenta anos do que eles. Sim, pode ser amor, puro e duro. Sim, provavelmente não o será em 99% das situações.

Creio que há três regras simples para conviver com esta realidade.

A primeira é não pactuar com puros abusos ou crimes. Não, não é normal ou permissível que um septuagenário pague a uma miúda de 14 anos em Phnom Penh para o “acompanhar” na sua estadia. Há várias formas de demonstrar o nosso repúdio e indignação.

A segunda regra poderá ser a de se procurar reorientar, se o quisermos, a ideia que muitas pessoas nesses países adquiriram sobre o “turista ocidental” quando por ali em férias. Frases como “És muito bonita, mas, por respeito a ti própria, nunca te pagaria para jantares comigo” podem fazer milagres. E, se não fizerem, pelo menos elogiou-se alguém, de preferência com justificação, de forma franca e olhos nos olhos.

A terceira regra é a de valorizar a liberdade e a autodeterminação de todos, sem moralismos ou juízos exagerados. Se uma adulta optar por passar três dias com outro adulto, sendo eventualmente retribuída ou não por isso, é também a sua liberdade que está em causa. Ultrapassar um nosso primeiro juízo, imediato e censório, também faz parte do nosso dever perante um espaço estrangeiro. As relações entre pessoas são complicadas, muito diversas e cheias de surpresas, algumas delas boas, até. E não somos nós que vamos impor necessariamente um dado padrão de conduta quando os outros vivem a sua liberdade de decidir.

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