O que fazer em Kampot, no sul do Camboja?

Kampot, no sul do Camboja, apesar de ser uma cidade, convida à preguiça. O seu centro histórico, feito de arquitetura colonial francesa do início do século XX, com casas de rés-de-chão e primeiro andar, plano e junto ao rio, pede algum tempo e energia não mais do que a suficiente. Tudo pode ser feito com calma a pé, exceto as saídas para fora da cidade. É um destino para andar, descobrir casas do princípio do século XX, perder-se nas ruas.

Para alojamento, o ideal é escolher uma opção neste centro, como a Baraca Guest House (rua 727, n.º 7), um quarto duplo muito simples, com WC e ventoinha, por apenas 9 dólares a noite… Outra boa opção, upscale, e provavelmente o melhor hotel da cidade (e de longe o mais bonito) é o recuperado Old Cinema Hotel (rua 700, n.º 27, cerca de 45 a 50 dólares a noite, com pequeno-almoço), precisamente um antigo cinema transformado em hotel, quartos muito confortáveis e uma piscina interior que pode ser usada também por não-hóspedes e que merece pelo menos uma visita e um café no jardim interior.

Se se chegar de van, como acontecerá com boa probabilidade, pode-se combinar ser-se deixado no alojamento reservado ou perto do Fish Market, junto ao rio, que já não é um mercado de peixe, mas um restaurante de origem australiana com preços elevados, no centro e perto de muitos dos alojamentos da parte colonial da cidade.

A cidade é, em regra, mais barata do que Phnom Penh ou Sihanoukville, donde a maioria dos viajantes provavelmente chegará, e com bastante menos visitantes estrangeiros. Os estrangeiros que se encontrarão serão hóspedes permanentes, professores ou ligados ao turismo e à hotelaria na sua maioria, ou trabalhadores de ONGs, mesmo se o turismo tem começado a aparecer.

Kampot tem o único restaurante português do Camboja, no momento em que foi visitado (2022), o Tertúlia, nas mãos do Miguel e da Carolina, e onde é possível comer peixinhos da horta e cataplanas, acompanhados de bom vinho português. É um sucesso, com clientes que viajam desde Phnom Penh para os visitar e que encomendam caixas de vinho. Mas as opções de alimentação são diversas: basta percorrer as ruas do centro ou a marginal e encontrar-se-á sempre uma esplanada onde vai apetecer ficar.

Para depois do jantar, duas opções de um copo e um pé (por vezes descalço…) de dança ficam também por aquelas ruas, como o bar 1960, com DJ e pista (e o nome não identifica a música passada no bar) ou o Nowhere, mais alternativo, onde alguns locais e os expatriados se misturam.

É também obrigatório passar pelo mercado noturno de Kampot, com cambojanos e sem turistas, onde roupa, comida e diversão tipo Feira Popular não faltam. O night market fica ao lado da grande rotunda, inesquecível e impossível de passar ao lado, feita com um durião gigante (durian fruit) no meio.

Perto, no edifício do antigo Old Royal Cinema (não confundir com o Old Cinema Hotel), funciona uma loja de roupa em segunda mão – mas já foi uma outra loja, de antiguidades de toda a Ásia (a Kampothead), entretanto fechada, e da qual ainda se encontram muitas referências online. Em frente, fica a Modelpot, idêntica, que também vende camisas de linho por 3 dólares e preciosidades semelhantes.

Mas se se quiser comprar alguma coisa em Kampot, isso significa comprar pimenta, o produto estrela da zona, que é uma das grandes produtoras de pimenta do mundo. A produção de pimenta foi muito incrementada com a presença francesa na zona, tem sido mantida e melhorada e o cheiro nota-se a muitos, muitos, metros. Vende-se pimenta verde, preta, seca, maturada, fumada… Em Kampot, lojas como a La Plantation ou The Kampot Pepper Shop (ambas, sucessivas, e ao lado do restaurante português Tertúlia) são os locais certos. E muita gente diz facilmente que a pimenta de Kampot é simplesmente a melhor pimenta do mundo.

Antes de ir embora da cidade, é fundamental ir à sua loja mais bonita, a Tiny Kampot Pillows (na rua 722), de onde vai apetecer levar tudo o que está à venda, mas provavelmente se levará apenas uma pequena almofada, como o nome indica, feita de tecidos locais e por mãos locais.

Para sair da cidade, há que ir até Kep, a zona de praia e de lazer junto ao mar, a poucos quilómetros de Kampot (a melhor solução é ter transporte próprio, ou seja, na prática alugar uma scooter ou, melhor, arranjar um táxi ou tuk tuk, conversando e regateando com a oferta local); e visitar as plantações de pimenta, em tours com interesse e que ocupam boa parte do dia, o que pode ser tratado nas lojas acima referidas.

A chuva vem de vez em quando, forte, arrefece a cidade e limpa o pó. Mas vale mesmo a pena conhecer a cidade e os seus habitantes e hábitos. Kampot, com a sua doçura e tranquilidade, vai permanecer na memória de quem a visite.

Old Cinema Hotel: www.facebook.com/oldcinemahotel

Tiny Kampot Pillows: www.tinykampotpillows.com

Restaurante Tertúlia: www.facebook.com/kampottertulia/?locale=pt

La Plantation: laplantation.com

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