À volta de Vang Vieng, Laos: aldeias, lagoas, grutas e montanhas

Depois de aturada pesquisa, numa onda antissocial, escolhi não fazer nenhum dos tours pré-feitos, em grupo, e optar por um tuk tuk para mim, à burguês. A grande vantagem é que se pode assim escolher a hora de saída, a duração e o percurso (o custo, consoante a duração e o passeio, variará entre os 300 e os 700 mil kip, comprado no alojamento, algo como entre 13 e 31 euros) e, como não estava numa de tomar banho no rio com um grupo de desconhecidos coreanos armados com remos, por mais sorridentes e entusiasmados que estivessem, assim foi.

O meu pedido foi ver, durante parte do dia, algo do campo, aldeias e ir a lagoas, no caso as com a designação local de “Blue Lagoon 1 e 3” (!!), que muitos aconselham como sendo as mais interessantes (400 mil kip, num programa de cerca de 3/4 horas).

O “tuk tuk”, assim anunciado pela rececionista do hotel, acabou por não ser exatamente um tuk tuk… Foi mesmo um camião, os mesmos que levam grupos de 20 pessoas, de caixa aberta, com bancos corridos e um toldo, que o sol aperta. Tinha, portanto, a caixa de um camião, para mim e uma pequena mochila, durante umas horas.

O passeio é bonito. Saindo da cidade, a certa altura a estrada de alcatrão acaba e os caminhos são de terra batida, cheios de buracos. A velocidade média deve ser 20, 30 km/h. O pó também é garantido. A primeira necessidade, ao voltar à cidade, é um banho, e com a promessa de que se ficará a mastigar pó nas próximas horas. Leve fato de banho e roupa já suja, mas uns sapatos de jeito, para grutas, pedras afiadas e afins, dando folga às Havaianas por umas horas.

O percurso pelo campo é lentamente feito de búfalos e vacas a pastar, pequenos povoados e selva densa a cobrir os penhascos sempre presentes.

As lagoas, que não são exatamente “blue”, mas mais verdes, são umas piscinas naturais adaptadas para receber pessoas e têm de facto uma água em que apetece dar um mergulho – ou fazer de Tarzan usando as zip lines instaladas –, para depois secar a olhar a montanha verde. Têm grutas associadas, que podem ser visitadas (use lanterna, nem que seja a do telefone). Ir de manhã, por volta das nove horas, é uma boa opção, já que a maioria dos visitantes vai durante a tarde.

As fotografias nos sites de viagens e no Instagram produzem demasiado a coisa, mas vale a pena conhecer e aí passar parte do dia.

Coisa melhor é entrar nas pequenas aldeias, ver os miúdos sorridentes a sair da escola primária, desviar-se das galinhas e das vacas em livre contramão, comprar mangas à beira da estrada, contemplar as bandeiras, a local e a da URSS (sim!), hasteadas par a par à porta dos edifícios importantes da aldeia. Este sim, é o Laos. Pobre, difícil, mas real.

Deixe um comentário