Vang Vieng: uma cidade de cowboys no meio do Laos, rodeada pela natureza

Cheguei a Vang Vieng vindo de Luang Prabang, no novo comboio rápido chinês que liga os 100 km que separam as duas cidades em cerca de uma hora (e segue para a capital, Vientiane). Uma viagem muito confortável, mesmo se com o custo de 25 dólares, comprado numa agência na rua central de Luang Prabang (incluindo o transporte do hotel para a estação em Luang Prabang, que fica bastante longe do centro da cidade). Grande parte da viagem de comboio é passada em túneis, já que foi preciso furar muitas montanhas para conseguir esta duração de viagem. Mas dá ainda para ver os campos de arroz, os búfalos e as enormes montanhas calcárias que dominam o cenário.

Optei por me alojar no centro, não muito longe do rio, na Vang Vieng Global Guesthouse, um prédio sem novidade, mas com um quarto grande com casa de banho e ar condicionado por 14 euros (!!) a noite, e com uma piscina acabada de estrear. Sim, os bons preços do Laos. E uma rececionista sempre pronta a ajudar e dar informações.

Vang Vieng é, à primeira vista, uma cidade sem grande graça, no seu aglomerado de edifícios de betão feios, entrecortados por casas baixas, meio escondidas atrás dos placards publicitários. Dito isto, é uma cidade também rodeada por enormes penhascos verdejantes, que se vêem do centro da cidade, com o rio Nam Song a acompanhá-la do seu lado oeste. Começa a melhorar, portanto. E tem um ambiente de cidade meio deserta durante o dia, quando muitos dos turistas saem da cidade, onde quase só faltam as portas dos saloons a abanar e catos secos a serem levados pelo vento.

Por algum motivo, Vang Vieng foi posta no mapa pelos viajantes ocidentais de mochila às costas que a elegeram como cidade de reunião e de festa nos anos 70. Desde então, foi crescendo e continua a atrair estrangeiros, agora mais pelas possibilidades de conhecer as montanhas, os rios e as aldeias à sua volta, nas muitas excursões que são oferecidas ou de forma mais independente. Bom clima, preços baixos, a beleza natural do Laos e a simpatia das suas pessoas fazem o resto. Vale bem a pena ficar pelo menos três ou quatro dias na zona e até mais.

Muitos restaurantes e bares, especialmente aqueles junto ao rio Nam Song, tornam a vida aparentemente simples e feliz, como o The Big Easy, com o seu “lounge” elevado de almofadas com vista para o rio e as montanhas, e ventoinhas para afugentar o calor da tarde. Peça a primeira Beerlao do dia, com gelo, como fazem os locais, uma salada de papaia verde super picante e esparrame-se no chão almofadado, por bons motivos.

A melhor área para ficar alojado e onde estão os melhores restaurantes e bares é, portanto, não longe do rio e algures entre o bar Full Moon (vai descobrir, basta seguir o cheiro a cannabis), a norte, e o hospital, a sul. Durante as tardes, quando a larga maioria dos visitantes está em passeio fora da cidade, tem as almofadas e a vista de rio e montanhas só para si: use daquela velha arte que se chama preguiça.

O melhor café expresso está também nessa rua mais perto do rio, no Naked Espresso VV, uma informação muito muito muito importante para os aditos.

Kayaking no rio Nam Song é talvez o programa mais próximo do seu alojamento. As principais ofertas para passar o dia fora de Vang Vieng andam em torno da atividade ao ar livre: kayaking ou ser passeado numa canoa com motor pelo rio, caminhadas (exigentes!) na selva, passeios de buggy, ir a grutas e lagoas, durante meio dia ou um dia inteiro (preços entre os 200 mil kip e os 500 mil kip por pessoa, aproximadamente, numa viagem num pequeno grupo, com equipamento e por vezes almoço incluído.

Os preços dos tours estão basicamente tabelados na cidade, pelo que comprar no alojamento torna-se mais confortável, uma vez que se é recolhido e devolvido no hotel. Também é possível alugar uma scooter e fazer o que bem apetecer e a qualidade da estrada deixar.

Os mais ambiciosos podem também fazer parapente, com motor, ou um passeio de balão de ar quente ao nascer ou ao pôr do sol (um balão a sério, não os que se vendem nos bares de Banguecoque) e ver a zona de cima durante 30-45 minutos, o que, se não fossem proverbiais, ancestrais vertigens, teria feito de certeza. O dia amanhece com um grupo de meia dúzia de balões gigantes coloridos (cada um pode levar supostamente até 16 pessoas) no céu sobre a cidade, que não é coisa que se veja todos os dias – e é muito bonito de se ver. Mas é preciso estar acordado às seis da manhã…

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