5 coisas a fazer em Saigão (cidade de Ho Chi Minh), Vietname – onde é afinal a Cochinchina

Saigão é uma cidade enorme, à semelhança de Hanói, com mais de 6 milhões de habitantes, onde as motas e as pessoas nunca param. Não tem, na verdade, locais ou monumentos absolutamente imperdíveis, nem propriamente um bairro ou uma zona “histórica”, mas vale acima de tudo pelo seu quotidiano e pela sua energia. Circular na cidade a pé – a cidade é totalmente plana – é possível, mas provavelmente deve ser evitado nas horas de maior calor, pelo menos entre as 11 e as 15 horas. O dia começa sempre cedo para todos, para os que não dormem e para os que acordam com o nascer do sol, em torno das cinco e meia da manhã.
Um táxi para um trajeto de 2 a 3 km no centro da cidade (por exemplo, entre a estação de comboios e a zona da rua Bùi Viên) deve custar cerca de 50 a 60 mil dong, entre 2 euros e meio e 3 euros; entre o centro e o aeroporto, entre 250 e 300 mil dong (cerca de 13 euros, entre 30 e 60 minutos, consoante o trânsito). As companhias de táxi das quais se diz bem (ou seja, que usam normalmente um taxímetro não adulterado…) são a Vinasun e a Mai Linh, cujos nomes estão bem visíveis no exterior dos carros.
No Vietname, a moeda nacional é o dong, sendo 1 euro cerca de 23 500 dong. Como não há moedas, isto significa que se precisa de ter uma carteira bem grande para alojar as muitas notas que se vai receber (1 euro pode significar ter 24 notas de 1000 dong…) e alguma atenção para não confundir as notas de 5000 com as 500 000 (5000 dong não pagam nada, 500 000 podem ser trocados por uma noite de hotel e um jantar). É possível levantar dong nos ATM’s pela cidade ou trocar euros ou dólares por dong em diversas lojas que o anunciam à porta (e que normalmente também vendem viagens e excursões). Muitos dos hotéis mais baratos e restaurantes não aceitam pagamentos com cartão.
E o que fazer em Saigão? Para além de uma visita ao Palácio da Reunificação, objeto de um outro texto, estas podem ser algumas opções.

 

1 – Comer (e beber)

No Vietname, em todo o Vietname, uma das coisas boas é a sua comida. Os verdadeiros pho, spring rolls, fish balls e tudo o mais… E as cervejas nacionais, como a Bia Viêt, a Saigon ou a 333, leves e prontas a ajudar a combater o calor e a humidade.
Saigão não é diferente e, a partir de dois ou três euros, é possível ter uma boa refeição. Segue a regra universal: onde há mais turistas, há um preço mais elevado e provavelmente menos qualidade e diversidade. E tudo é acompanhado sempre com molhos, picante, de peixe, de ostras, de alho, hoisin, de cogumelos, de soja, de tomate, de amendoim… E, sim, por aqui, picante é mesmo picante.

 

2 – Andar pela rua Bùi Viên à noite

É o lugar de festa da cidade e não apenas para os turistas estrangeiros. Os bares estão alinhados ao longo da rua, com as suas esplanadas de cadeiras e mesas minúsculas. Cadeiras desdobráveis de praia e cadeiras de plástico, que mudam de lugar e se adaptam ao número e tipo de clientes com grande velocidade. Em cada três metros de frente de rua, um bar diferente, uma discoteca diferente. Música por toda a rua, sempre muito alto.
Uma boa opção para começar a noite e provar a cerveja local acompanhada de uns spring rolls é a mini-esplanada do bar 98 (os números de rua normalmente identificam os espaços), onde a sua patroa, de ar sério, nos trata bem, e dá para ver a banda passar na rua. Ou o seu oponente, o número 81. Pela rua Bùi Viên cruzam-se incessantemente à noite turistas, locais em festa, cuspidores de fogo, vendedores de peixe seco, americanos com álcool a mais, adolescentes vietnamitas a carregar peluches do seu tamanho, ratos à procura de restos de comida e tudo o mais que se possa imaginar. E, claro, motas, muitas motas (e alguns carros), já que o facto de supostamente ser uma rua pedonal não poderia nunca impedir, no Vietname, as motas de passarem por onde querem.
Apesar de ser habitualmente descrita como rua que nunca dorme, as horas de animação e sem locais fechados são provavelmente entre as 19h e as 3h. A tarde e o seu calor tornam a rua quase deserta e os restaurantes e bares fecham quase todos.
Com o sol a pôr-se às cinco da tarde, a noite começa cedo: por volta das seis já há pessoas a jantar e reunidas em torno de uma mesa onde não faltam travessas e cervejas.
Há muitos hotéis nesta rua e nas ruas paralelas e transversais, numa zona em que muitos turistas procuram ficar (um bom quarto com ar condicionado e casa de banho custa cerca de 20 euros a noite, como no C-Central Hotel, numa esquina ligeiramente mais sossegada entre a rua Bùi Viên e a De Thám). Devem evitar-se os alojamentos situados mesmo na parte central da rua Bùi Viên: o som da música impede qualquer minuto de sono noturno.

 

3 – Ir aos mercados

Os dois principais mercados no centro de Saigão são provavelmente o Russian Market
e o mercado Bên Thành, ambos no distrito 1.
O mercado Bên Thành, o mercado central, está transformado numa galeria de bugigangas e de roupas, malas e mochilas fake para turistas (e para locais). Não deixa de ser um passeio curioso, no entanto, especialmente se se fizer juntamente com as ruas à volta.
O Russian Market (rua Võ Van Kiêt), mais a sul, junto a um dos canais que se vai depois juntar ao rio Saigão, é o local onde em tempos passados, se vendiam bens russos à comunidade que aqui vivia e onde se podiam comprar roupas adequadas ao clima russo. Ainda hoje, por isso, a sua principal oferta são mochilas e malas de viagem e casacos de inverno, de penas, de neve, etc., a preços que podem ser um décimo do preço europeu. É um local tranquilo, sem grande pressão dos vendedores e onde ainda se pode comprar alguma comida russa, se alguém estiver interessado.

 

4 – Perder-se pelas ruas e especialmente pelos becos e travessas

A zona central da cidade é o seu distrito 1, que se estende do rio Saigão para oeste, mais ou menos no centro geográfico da cidade.
A zona de Dong Khoi, mais perto do rio, é a área dos hotéis internacionais, dos arranha-céus da sede de empresas, das lojas europeias (a Rolls Royce tem um bom stand de vendas junto à ópera de Saigão, se alguém estiver interessado), dos cafés mais elegantes e dos monumentos.
Aqui ficam o magnífico edifício da Ópera, a estátua de Ho Chi Minh ou o edifício do Conselho do Povo da cidade de Ho Chi Minh. Mas também a Catedral de Nossa Senhora de Saigão (10% dos vietnamitas são católicos), o edifício da estação central dos Correios (ao lado da Catedral) e o Palácio da Reunificação ou da Independência (a designação depende da perspetiva que se adote…), onde funcionou a sede de governo do Vietname do Sul até 1975. Este último merece bem uma visita mais demorada.
Junto ao rio, vão encontrar-se casais de noivos em sessões com o seu fotógrafo, para mais tarde recordarem.
No bairro de Pham Ngu Lao, logo a sudoeste da zona central, estão os hotéis e os restaurantes mais baratos e animação noturna, bem como as ruas mais estreitas e menos povoadas, mas onde há sempre uma loja ou um café. Na rua Pham Ngu Lao (a 200 metros da rua Bùi Viên) encontram-se “terminais” de diversas companhias de autocarros, para quem queira mudar de cidade. Ou até de país – autocarros para Phnom Penh, Camboja, saem desta rua, normalmente entre as 6h e as 8h da manhã, e convém comprar o bilhete de véspera, entre 20 e 40 euros consoante a companhia e a qualidade do transporte, 5 a 6 horas de viagem e um tempo sempre incerto a passar a fronteira (o visto para o Camboja deve ser obtido com antecedência e é já possível fazê-lo online e esperando alguns dias pela sua emissão).

 

5 – Conhecer o delta do rio Mekong, a Cochinchina original

Quando os Portugueses aqui aportaram no século XVI chamaram a esta terra Cochim, China – tentando usar a designação que os próprios locais lhes indicavam. “China” para distinguir de uma outra Cochim, na Índia… O tempo encarregou-se de tornar esta Cochinchina em sinónimo de terra longínqua e imprecisa. Mas a designação manteve- se por aqui e foi também a usada pela administração colonial francesa, presente desde 1862 até meio do século XX (os mapas franceses marcavam esta colónia precisamente como Cochinchine).
A sul de Saigão e até ao mar, existe um mundo feito de terra e água imprecisas, de rios e de aluviões, de arroz, de verde e de castanho. Aqui desagua finalmente o rio Mekong, um dos grandes rios da Ásia e do mundo, nascido na China e que passa por seis países até chegar ao mar. O seu delta é uma região de água, de barcos sonolentos, de um tempo que passa mais devagar.
Para quem tenha mais pressa, em Saigão é possível comprar o lugar numa excursão de 1 ou 2 dias pelo delta do Mekong, que invariavelmente vai incluir umas visitas a fábricas de doces ou de “souvenirs”, e que se vendem em todos os hotéis e por lojas espalhadas pelo centro da cidade (a partir de cerca de 1 milhão de dong por pessoa, aproximadamente 43 euros).

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