O que ver e fazer em Luang Prabang, Laos

Pode começar o dia cedo, como aliás é costume por aqui – mas com um casaco, que de madrugada podem estar 16 graus. A cerimónia de oferendas aos monges começa às 6 da manhã e pode-se participar, comprando um pouco de arroz e colocando-se na fila, sem ombros descobertos ou outras tentações do género. Os monges e os noviços saem em fila do templo e percorrem a rua, recebendo as oferendas da população e de alguns turistas, que já estão alinhados e sentados em bancos ao longo de umas centenas de metros. A coisa funciona ao longo da Sakkaline Road, em direção a oeste, desde o Wat Sensoukharam, onde o enorme buda à entrada avisa logo sobre o que ali se passa.

Por volta das 7 horas começam a abrir os cafés e o movimento na cidade vai crescendo. Começa a ser boa hora para ir até ao Morning Market, que ocupa algumas ruas na parte leste, a seguir ao Palácio Real aka Museu Nacional. Não se preocupe, vai logo encontrar, quando começar a ver os passeios ocupados por vendedoras de ratos esventrados, ervas diversas e frutas coloridas. Ou peixes mal saídos do rio a serem decapitados e fatiados. Para a maior parte de nós, que não vai comprar os produtos para fazer a sopa a seguir, é um momento para tirar fotos e deixar-se ir na confusão de gente, cheiros e cores. Mas, se for como eu, não sairá de lá pelo menos sem um saco de malaguetas secas ou de pimenta preta local em grão.

O antigo Palácio Real, agora Museu, é provavelmente o edifício mais impressionante da cidade e vale a pena conhecer. E, depois, como a cidade é como que um museu ao ar livre, escolha alguns dos mais de trinta templos budistas que por ali se encontram. O Wat Mai/Wat Mai Suwannaphumaham e o Wat Xieng Thong são dois dos mais procurados, mas espreite os outros também, que lhe vão aparecer necessariamente enquanto caminha na cidade e provavelmente até são tão ou mais bonitos e com menos visitantes.

Luang Prabang, especialmente na zona da Sakkaline Road, tem várias lojas de qualidade, onde pode comprar ou pelo menos admirar o que tem sido feito com a tradição do país em tecidos, especialmente seda e algodão, cruzada com novos modelos e novos usos. A TAEC ou a Ock Pop Tok são duas delas, mas há várias. Pode almoçar num dos vários restaurantes da zona ou ir até à junção dos rios, na ponta leste da península, onde o View Point Café tem a melhor esplanada sobre o Mekong e o Nam Khan.

Menos conhecida do que a dos países seus vizinhos, a arte da massagem do Laos é também uma instituição. Mais vigorosa, usando ervas e por vezes um tipo de sauna, é algo a experimentar. No centro da cidade histórica há vários centros de massagem – e sim, pensados basicamente para a sua clientela de turistas.

O melhor passeio fora da cidade, que pode ser contratado no seu alojamento ou num dos diversos pontos de venda, especialmente concentrados junto do Palácio Real, é a ida às cataratas de Kuang Si, a cerca de 30 quilómetros, aproveitando a vista para o Laos rural na viagem. Leve fato de banho, porque há diversas piscinas naturais onde pode mergulhar. De resto, a partir de Luang Prabang, são vários os locais (e os alojamentos) a vender e organizar excursões de meio dia, um dia ou mesmo dois ou três, envolvendo passeios de barco pelo Mekong, elefantes, ursos, whiskey de arroz e aldeias, uma combinação vencedora. Em 2009, na minha primeira vez em Luang Prabang, fui fazer um dia de passeio em elefante, o que não voltarei a fazer, sabendo hoje o que não sabia na altura sobre o modo como estes animais eram “treinados”. Esta consciência generalizou-se e neste momento essa oferta, mesmo ainda existindo, saiu do catálogo mais habitual para o visitante.

Terminar o dia terá de ser com uma passagem pelo Night Market, do lado esquerdo do Palácio Real (a funcionar mais ou menos entre as 17h e as 22h), onde a mistura habitual de artesanato, roupas e de coisas desnecessárias em plástico abunda, mas onde se encontra alguma produção local, desde logo de tecidos. Uma parte da zona do mercado, que é montado e desmontado todos os dias, tem uma espécie de food court de comida local e não só, barata e cozinhada à nossa frente, ao ar livre. Os americanos, que não tem qualquer cultura de mesa lenta e conversa, devem adorar – mas, com as outras opções de restaurantes em Luang Prabang, a poucos metros, esta não será provavelmente a melhor escolha para jantar.

2 Comentários

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