Luang Prabang, Laos: cidade de reis, colonos e monges para descobrir
Luang Prabang, a antiga capital real do Laos histórico, é dos locais mais pacíficos e bonitos da Ásia. Rodeada de montanhas, sempre com um clima temperado (28-16 graus), a parte antiga da cidade fica numa península na parte leste, rodeada pelos rios Mekong, a norte, e Nam Khan, a sul, e é a zona que mais interessa conhecer, apesar da cidade ser muito maior.
É possível fazer sempre toda esta área da cidade a pé e é aqui que se concentram também o alojamento e muitos restaurantes. Património da UNESCO, grande parte das construções são casas de arquitetura colonial francesa, memórias da sua presença por estas terras, de rés-do-chão e primeiro andar, bem mantidas, ruas sem trânsito e os rios nunca muito longe. A pequena cidade antiga é doce, tranquila, bonita. Claro que já recebe a sua dose de turistas, mas numa quantidade ainda muito aceitável.
Não é uma espécie de cenário de filme, cheio de figurantes. Os templos, os mercados e as ruas têm população da cidade e o turismo interno, de laoenses (é assim?), está também a crescer.
Uma grande diferença, ao andar numa cidade no Laos, é que, ao contrário do que sucede na Tailândia, no Camboja ou na Indonésia, ninguém nos pressiona a ver ou comprar nada. E isso é uma imensa liberdade e paz ao fim de algum tempo.
Chegar a Luang Prabang, em tempos uma tarefa exigente, é hoje muito fácil. O aeroporto recebe voos domésticos e alguns internacionais (como de Banguecoque) e são depois 80 mil kip ir de táxi/van até ao centro da cidade (1 euro = 22 000 kip). Desde 2021, existe um novo comboio, chinês, a ligar a cidade à capital, Vientiane, em poucas horas (permitindo depois continuar a descer para a Tailândia), passando por Vang Vieng, e assegurando a ligação ao norte, até à China. Chama-se, aliás, comboio “Laos-China”. E, claro, há sempre a clássica viagem de barco pelo rio Mekong, começando (ou chegando a) em Vientiane por exemplo, em diversas modalidades, durações e preços, podendo continuar no rio pela Tailândia, se estiver a precisar de martirizar o corpo em vida ou a fazer uma dieta exclusiva de benzodiazepinas.
A rua central da cidade, onde se concentram monumentos, templos, comércio e a vida, divide a península, sensivelmente entre a zona do Night Market a oeste e a junção dos rios a leste, na ponta da península. Chama-se Sisavangvong Road ou Sakkaline Road, consoante a zona, mas é basicamente a mesma rua. A cidade antiga é uma grande quadrícula, fácil de caminhar ou fazer de bicicleta, com restaurantes e cafés em abundância. Ou pode também apanhar um tuk tuk, se aqueles cinco minutos a menos fizerem a diferença.
Experimentar a gastronomia do Laos é também fundamental: semelhante à do norte da Tailândia, tem os seus pratos próprios, como o peixe do rio cozinhado com ervas em folha de bananeira (Mok Pa), as salsichas do Laos, feitas também com ervas e gengibre (Sai Gok) ou uma salada com carne picada (normalmente frango ou porco), menta e lima (Larb ou Laab). Esta malta gosta de ervas com sabor e de muito picante. Se não gostar, peça uma pizza, quando a encontrar. Tudo acompanhado, claro, com arroz, que aqui é sempre bem sticky. E uma Laobeer, a cerveja nacional do país, muito suave. A presença francesa deixou também umas criações de fusão, tipo baguetes recheadas com produtos locais, especialmente nãoseiquecoisapodeseristo que está aqui dentro do pão, à semelhança do que se encontra também no Vietname. E croissants acabados de fazer às sete da manhã.
Boas opções de alojamento estão em toda a parte colonial da cidade, muitas delas adotando e adaptando os edifícios históricos. Pode optar por ficar junto ao rio (a parte junto ao rio Nam Khan, a sul, é mais tranquila, a parte junto ao Mekong mais confusa). Um quarto (com ar condicionado e casa de banho) custa entre cerca de 20 e 200 euros, indo de um alojamento simples numa pousada até a hotéis de luxo asiático. Eu fiquei desta vez na Villa Somphomg, uma antiga casa colonial junto à margem do Nam Khan, a sul, num quarto bom e com um acolhimento muito simpático, por cerca de 18 euros por noite. Os muitos reformados ocidentais que visitam a cidade, normalmente acolitados em ritmo de treino militar por um guia, seguramente ficam noutros sítios.



