Banguecoque 101 – o essencial da capital da Tailândia
As primeiras coisas primeiro: chegar. O mais provável é que, vindo num voo transatlântico, chegue ao aeroporto de Suvarnabhumi, a cerca de 30 km do centro e, depois, pode apanhar um táxi para o centro da cidade (400-600 bath, consoante a hora do dia e a negociação…) – e verificar se a portagem está incluída no preço! –; ou apanhar em alternativa, se estiver sozinho, um autocarro direto do aeroporto para os principais pontos de paragem em Banguecoque. Se for para Khaosan, é muito simples, e custa 180 bath por pessoa, indo ter ao quiosque, por exemplo, da LimoBus.
Táxis e autocarros estão no piso 1 do aeroporto, nas chegadas (pode levantar bath num ATM ou trocar, num câmbio manhoso, num dos muitos pontos de câmbio do aeroporto) e levam basicamente o mesmo tempo a chegar ao destino que o táxi, desde que não tenha de andar muito a pé depois se optar pelo autocarro. Troque o resto do dinheiro, euros ou dólares de preferência, por bath na cidade, ou levante num ATM, com melhor taxa de câmbio, mas uma taxa de levantamento elevada. Vai ser muito fácil, é um país que recebe quase 30 milhões de turistas por ano. Na maioria das lojas de câmbio e nos bancos vão pedir-lhe o passaporte, o original, não apenas uma foto.
O outro aeroporto de Banguecoque, Don Mueang, mais perto do centro da cidade, é principalmente usado por companhias low cost, como a Air Asia ou a Nok Air, para voos domésticos e para voos destinados a países na Ásia. Se chegar a Suvarnabhumi e tendo de apanhar um voo que parta de Don Mueang, há um transfer gratuito em autocarro, caso o voo seguinte seja no mesmo dia (tem apenas de mostrar o bilhete), e vice-versa. Don Mueang tem também uma estação de comboios, por onde passam os da Thai Railways, que permitem continuar uma viagem por terra para norte (por exemplo, fazer uma noite de comboio, dormindo!, até Chiang Mai, ou mesmo até ao Laos). O táxi para o centro custa cerca de 400 bath (o preço é definido no quiosque junto dos táxis) e existe também o LimoBus. Diversos autocarros para viagens mais longas param também nos aeroportos.
Tenha atenção às horas do voo e à confusão sempre presente em qualquer dos aeroportos. Suvarnabhumi é dos aeroportos mais movimentados do mundo e circular em Bangkok demora muito tempo e o trânsito é incerto, mas habitualmente caótico e lento, exceto durante a madrugada.
Banguecoque é uma cidade gigante, cheia de gente e de carros, poluída, quente e húmida. Entre novembro e março, a humidade é menor, a poluição sente-se menos e não chove habitualmente, o que torna a cidade ligeiramente mais agradável, mas igualmente insuportável para andar a pé mais de meia hora seguida. O período de verão europeu garante chuva a sério naquela zona do mundo, mas com pausas entre aguaceiros, intervalando com verdadeiras inundações, sendo a temperatura a mesma, acima dos 30 graus durante o dia.
Isto significa também que andar a pé é possível e aconselhável, mas vão ser necessários alguns táxis e tuk tuk’s para circular (preço a ser combinado antes de entrar!) ou o excelente metro e até autocarros (a viagem de autocarro na cidade custa apenas 8 bath e é uma verdadeira experiência…). É igualmente divertido entre maio e setembro, mas é mais… molhado, o que pode não ser mau atendendo ao calor.
Para fugir ao trânsito, mas não às multidões, use o BTS SkyTrain e o metro, que ligam as zonas centrais em poucos minutos. Os bilhetes compram-se nas estações, em máquinas ou guichets, e paga-se consoante o percurso. Está tudo explicado, também em inglês, e, sendo caótico, é depois extraordinariamente fácil, quando se percebe a lógica.
Dito isto, é uma cidade fantástica, num país lindo e, para mais, barato para o padrão ocidental – 1 cerveja (com 660 ml) num bar habituado a turistas, 1,5 a 2,5 euros; 1 prato tailandês entre 3 a 5 euros, 1 noite num hotel limpo no centro da cidade pode custar 20 euros (com ar condicionado e casa de banho privativa), mas pode, claro, custar também 400 ou 1000.
Grande parte do que vai querer ver, numa primeira visita a Banguecoque, está num retângulo delimitado, com alguma flexibilidade, a oeste pelo rio Chao Phraya e pelo antigo Palácio Real e a leste pela zona de Sumkhuvit, em torno do metro Asok. Pelo meio encontra-se, para além do Palácio, a zona de festa noturna e de compras de rua de Khaosan (que é um nome de rua, mas também, hoje em dia, uma zona – para uma esplanada mais tranquila, é melhor ir até aos bares e restaurantes de Soi Chana, a 200 metros, do que ficar na rua Khaosan); a Chinatown de Banguecoque; a zona de Siam Square e os seus centros comerciais e, na parte mais a leste, Sumkhuvit, que tem um pouco de tudo, desde os infames Nana Plaza e Soi Cowboy, hoje uma espécie de folclore sexualizado para tentar chocar turistas que querem ser supostamente chocados, até os melhores hotéis, restaurantes e roof tops da cidade.
A velha Banguecoque é a zona oeste, mais junto ao rio, onde o metro ainda não chega, que pessoalmente prefiro; para leste, a cidade mais recente. Convém, pois, ficar alojado algures neste retângulo entrecortado por canais, quer escolha um cinco estrelas, quer um hotel aparentemente duvidoso ou onde não existam sequer quaisquer dúvidas. Porque Banguecoque tem tudo e sempre de uma forma sorridente, acolhedora e segura, como provavelmente não se encontra com facilidade noutra metrópole com mais de 13 milhões de pessoas. Claro que há carteiristas e que desaparecem por vezes euros de quartos de hotel, mas, com um pouco de bom senso (leia-se, mais cadeados e money belts e menos litros de Chang), isso também se previne.
E o que visitar e fazer, nesta cidade onde na verdade só apetece andar pelas ruas e descobrir o que surja, sem destino marcado?
Sim, é preciso conhecer o complexo do antigo Palácio Real, junto ao rio. E alguns dos templos budistas: Wat Phra Kaew – o templo do Buda de esmeraldas –, dentro do complexo do Palácio; Wat Arun, perto do Palácio, do outro lado do rio; Wat Pho, o templo do Buda deitado (46 metros de buda…); Wat Ratchanatdaram (Loha Prasart), perto de Khaosan, numa configuração que copiou um templo no Sri Lanka, hoje destruído; e Wat Traimit, o templo do Buda de ouro, com a maior estátua de Buda de ouro do mundo, feita com mais de 5 toneladas de ouro sólido, em Chinatown, aproveitando para deambular umas horas nesta parte da cidade.
Fazer uma ou mais massagens é também fundamental! Por 10 euros ou menos, uma hora de massagem tailandesa a sério faz milagres depois de um voo de 10 horas, antes de um regresso a uma Europa fria e cinzenta ou só porque sim. E não, nem todas as massagens por aqui têm finais felizes.
A Tailândia é um dos países do mundo onde melhor se come, usando as ervas e as especiarias como poucos. Portanto, seja numa banca noturna na rua com uma esplanada improvisada, seja num roof top a ver ao longe o rio e os templos iluminados, é aproveitar. E usar as últimas horas antes de ir para o aeroporto para comprar num mercado umas folhas de lima kaffir ou de erva-príncipe frescas, para depois congelar em casa e usar ao longo dos meses seguintes. Sim, também se compra em Lisboa, mas comprado em Banguecoque é outra coisa.
Fazer compras é algo a que não vale a pena tentar fugir. Vai acontecer. Nem que seja aquela t-shirt de 3 euros ou uns calções de muay thai que nunca irá usar. Ou um fato à medida, num dos muitos alfaiates da cidade, por um quarto ou um quinto do preço da Europa. Os bons alfaiates quererão fazer pelo menos duas provas, precisa de alguns dias pela cidade – mas há os que fazem um fato completo em cinco horas também… E sim, os tecidos, os preços e os resultados são diferentes.
Por fim, um guilty pleasure… Indo a um 7-Eleven ou outra loja de conveniência aberta 24 horas, comprar um daqueles triângulos ou rolos de sushi, pré-embalados, que vai encontrar no frigorífico. Pode-se comprar à confiança, são sempre frescos, já que desaparecem rapidamente e estão sempre a ser substituídos. Servem como pequeno-almoço ou ceia às 4 da manhã e custam menos de 1 euro. Tem uma parte de bricolage para a montagem perfeita após a compra (ou seja, para enrolar a alga ao arroz). A técnica é dominável, mas não à primeira… Deveriam vender-se na Europa, mas não existem por cá. Não é sushi de primeira qualidade, mas a mistura de salmão, arroz e alga nori, entre outras, pronta a comer e fresca, faz maravilhas para contrabalançar aquelas cervejas a mais (sejam Leo, Chang ou Singha, da mais leve para a mais pesada das marcas locais) e é muito melhor do que batatas fritas de pacote.







